sobre

mun.da.no. [Do lat. mundanu.] Adj. 1. Referente ao mundo (considerado este pelo lado material e transitório). 2. Relativo à vida em sociedade. 3. Algo cotidiano ou ordinário que não incita entusiasmo; comum.
pa.ra.dig.ma. [Do gr. parádeigma, pelo lat. paradigma.] S. m. 1. Algo excepcionalmente típico que serve de exemplo geral ou de modelo; padrão. 2. Suposições, conceitos, valores e práticas que constituem uma forma de ver a realidade. 3. Regras e regulamentos, escritos ou não, que estabelecem fronteiras ou limites.

 

O blog

Na Grécia Antiga havia filósofos em cada esquina, questionando os conceitos, os valores e as práticas tradicionais da época. Eles davam foco à razão e ao pensamento sistemático na busca do conhecimento, fazendo distinções e eliminando pressupostos para melhor entender a natureza da realidade. Para alguns, o filósofo era esquisito, para outros, engraçado. Tinha quem achasse a filosofia interessante, mas, para muitos, era insignificante. Para os detentores do poder, a filosofia era perigosa; o filósofo ameaçador.

A cultura grega teve grande influência não só na filosofia mas também na educação, na política, na ciência e na arte, e foi fundamental para a civilização do ocidente. Nossa sociedade hoje, porém, é mais parecida com a Roma Antiga e sua política panem et circenses [1]: com uma visão simplista e de curto prazo, nós nos rendemos ao entretenimento banal e nos tornamos indiferentes à cidadania e, consequentemente, à nossa própria qualidade de vida. Por isso, a percepção pública atual do filósofo como um acadêmico inútil precisa acabar. O filósofo precisa reestabelecer-se como membro atuante não só da universidade mas da sociedade, para que a filosofia saia da academia e volte para as ruas, para o dia a dia das pessoas.

Feliz aquele capaz de compreender a causa das coisas. – Virgílio

Sofrimento, segundo diversas tradições filosóficas antigas, surge quando a nossa percepção da realidade está distorcida. Dessa forma, o primeiro passo para uma vida feliz seria sintonizar a nossa maneira de ver o mundo com a realidade – uma realidade que raramente é como nós a imaginamos, como nós a construímos. Vivemos um momento confuso: para aumentar nosso padrão de vida, para satisfazer – e criar! – necessidades imediatas sem valor existencial, avanços tecnológicos comprometem nossa qualidade de vida e colocam em risco o futuro da humanidade. Para focar no essencial e sermos mais verdadeiros a nós mesmos nós precisamos desconstruir nossa experiência no mundo para melhor compreender os mecanismos por trás de nossas ações. Assim, nós paramos de nos preparar para o futuro, nos desapegamos do passado, e nos tornamos livres para viver conscientemente no presente.

No Enganos Mundanos você encontrará reflexões filosóficas e criminológicas (e seculares!) pertinentes ao nosso dia a dia, com foco em educação e saúde mental. O objetivo é quebrar paradigmas para que nós possamos transcender a novas realidades, questionando aspectos da nossa existência que à primeira vista parecem ser verdades absolutas, erradicando as presunções que formam a visão de mundo que nos é imposta pela sociedade. No Enganos Mundanos você não encontrará respostas, apenas perguntas.

Bruno Vompean

Estou sempre viajando: mundo afora ou mente adentro. Sou natural de Santo André (SP) mas passei metade da minha vida fora do Brasil, morando em países como Chile, Argentina e Canadá. Sou graduado em Filosofia e Criminologia pela Universidade de Toronto, e especializado em Budismo, Psicologia e Saúde Mental pela mesma universidade. Em 2012, eu fiz retiro em um centro budista na Cordilheira do Pacífico, no Canadá, afim de integrar conhecimento e prática. E esse é meu blog.

[1] Política popularmente conhecida como “pão e circo”, que visa a prover “comida e diversão” ao povo afim de diminuir a insatisfação popular contra os governantes.