Caminho do Filósofo (curta-metragem)

O poema “Há metafísica bastante em não pensar em nada” é um dos mais célebres de Fernando Pessoa, que o assinou com o heterônimo de Alberto Caeiro. Em “Caminho do Filósofo”, o Enganos Mundanos dá vida ao poema com destaque a uma aparente contradição: como pode um filósofo dizer que o melhor é não pensar em nada?

O que penso eu do mundo?

Sei lá o que penso do mundo!

Se eu adoecesse pensaria nisso. – Alberto Caeiro

Sócrates há muito declarou que a vida não examinada não vale a pena ser vivida. Aqui, Alberto Caeiro o contradiz, classificando o pensamento como uma patologia. E, para o desespero de muitos, o faz com convicção.

Para que pensar se podemos sentir, experimentar, enfim, viver a vida?

Não é à toa que o poema, um dos meus favoritos, foi a causa de certa angústia durante a minha graduação. Afinal, a matéria de que se ocupa um estudante de filosofia é, muitas vezes, o próprio pensamento: ele não só pensa, como pensa sobre o pensar. E essa é uma vida que, segundo o poema, definitivamente não vale a pena ser vivida.

Mas o que expressa Alberto Caeiro senão uma filosofia?

Sim, encontramos no poema uma visão de mundo que se apresenta como uma “antifilosofia”, mas que, na verdade, é uma filosofia como qualquer outra. Para chegar às conclusões que chegou, o “antifilósofo” do poema teve, por exemplo, de identificar e comparar diferentes visões de mundo tendo como base o todo de seus valores éticos — conceitos estes estritamente filosóficos. De que outra maneira se pode concluir de que essa, e não aquela, é a melhor maneira de se viver a vida?

O que eu aprendi—com o poema e a resultante crise existencial—foi o seguinte: apesar da primeira estrofe, citada acima, Alberto Caeiro sabe o que pensa do mundo [1]. Isso significa que ele também sofreu a doença de que, segundo ele, sofrem os filósofos, ainda que tenha encontrado a cura—cura que, ironicamente, só pode ser derivada da própria filosofia.

Perguntas frequentes:

Recebo, todas as semanas, perguntas relacionadas ao curta. Fico feliz em ouvir depoimentos de pessoas que se identificaram com o vídeo, e sempre respondo aos e-mails. Ainda assim, resolvi colocar as perguntas mais frequentes abaixo:

1. Por quê o vídeo foi feito em inglês? Você pode fazer uma versão em português, com o poema original?

Apesar do sobrenome, o professor de filosofia que “protagoniza” o curta, Ronald de Sousa, é natural da Suiça e não fala português. Não haverá uma versão com o poema original. (A não ser que você faça!).

2. Como pode um filósofo ser religioso/acreditar em deus?

Existem muitos, mas muitos filósofos que são religiosos/acreditam em deus, apesar de eu não ser um deles (e o Ronald de Sousa menos ainda).

3. Me ofendi com a relação entre transtorno maníaco-depressivo (que, aliás, é chamado de transtorno  bipolar) e filosofia feita no final do vídeo. Explique-se.

Saúde mental é um assunto que eu levo muito a sério. Apesar de irreverente, a explicação do Ronald de Sousa no fim do vídeo toca em um tema muito interessante, especialmente em relação ao poema.

4. Me ofendi com a relação entre filosofia e saúde mental feita no fim do vídeo, pois uma coisa não tem nada a ver com a outra. Explique-se.

Na minha opinião, filosofia tem absolutamente tudo a ver com saúde mental!

5. Posso postar o vídeo em meu blog/grupo do facebook?

Sim.

6. Posso fazer upload do vídeo no meu canal do youtube?

Infelizmente, não.

[1] Ele passa o decorrer do poema nos falando a respeito!

 

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